O Corona Vírus te preocupa?

Quarta, 11 de Março de 2020

O Corona Vírus te preocupa?

O Corona Vírus te preocupa?

Aprenda sobre ele e ajude a disseminar informação ao invés de pânico. Afinal, somente a primeira ação tem efeitos práticos satisfatórios!

 

COMO TUDO COMEÇOU?

Em dezembro de 2019 surge uma série de inexplicáveis ​​de pneumonia relatados em Wuhan, China.

O governo e os pesquisadores chineses tomaram medidas rápidas para controlar a epidemia e realizaram pesquisas etiológicas.

 

TUDO FOI MUITO RÁPIDO!

Em 12 de janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) provisoriamente nomeou esse novo vírus como o novo coronavírus de 2019 (2019-nCoV).

Em 30 de janeiro de 2020, a OMS anunciou a epidemia de 2019-nCoV uma emergência de saúde pública de interesse internacional (PHEIC).

Em 11 de fevereiro de 2020, a OMS nomeou formalmente a doença desencadeada pelo 2019-nCoV como Corona Virus Disease 2019 (COVID-19).

No mesmo dia, o Grupo de Estudo para Coronavírus (CSG) do Comitê Internacional de Taxonomia de Vírus nomeou 2019-nCoV como Coronavírus 2 da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV-2).

Em 23 de fevereiro de 2020, havia 77.041 casos confirmados de infecção por SARS-CoV-2 na China, com cerca de 2.457 mortes (dados oficiais do governo chinês - fatalidade= 3,19%). Não ocorreram óbitos no grupo de 9 anos ou menos, mas os casos entre 70 e 79 anos tiveram uma taxa de letalidade de 8,0%, enquanto que, para pacientes com 80 anos ou mais, 14,8%.

O número de infecções excedeu o do surto de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) na China em 2002.

 

SINTOMAS

Pesquisadores constataram que 98% dos pacientes em seu estudo apresentavam febre, dos quais 78% apresentavam temperatura superior a 38°C.

Eles relataram que 76% dos pacientes tiveram tosse, 44% dos pacientes experimentaram fadiga e dores musculares e 55% dos pacientes tiveram dispneia.

Um pequeno número de pacientes também desenvolveu expectoração (28%), dores de cabeça (8%), hemoptise (5%) e diarréia (3%).

Testes laboratoriais constataram que 25% dos pacientes infectados apresentavam leucopenia e 63% linfocitopenia.

O nível de aspartato aminotransferase (TGO-AST), verificado por meio de exame de sangue solicitado para investigar lesões que comprometem o funcionamento normal do fígado, foi elevado em 37% dos pacientes.

A miocardite foi diagnosticada em 12% dos pacientes.

Foram encontradas anormalidades nas imagens da tomografia computadorizada (TC) do tórax em 100% dos pacientes.

 

PREVENÇÃO E TRATAMENTO

A empresa de biotecnologia Moderna Therapeutics desenvolveu uma vacina em apenas 42 dias após o anúncio do vírus pelos chineses. Os primeiros lotes da vacina contra a COVID-19 foram enviados para serem testados em humanos. Os responsáveis pelo teste serão o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) e os Institutos Nacionais de Saúde (NIH), que devem iniciar os trabalhos em abril.

Atualmente, os tratamentos de pacientes com infecção por SARS-CoV-2 são principalmente tratamentos sintomáticos.

Estudos relataram que as complicações mais comuns em pacientes com infecção por SARS-CoV-2 foram a síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), seguida por anemia, lesões cardíacas agudas e infecções secundárias. Portanto, antibióticos, terapia antiviral (oseltamivir) e corticosteróides sistêmicos foram frequentemente usados ​​para tratamentos.

Pacientes com hipoxemia intratável receberam ventilação mecânica invasiva.

Alguns pesquisadores fizeram uso de Remdesivir no tratamento de pacientes com infecção por SARS-CoV-2 e relataram bons resultados.

Outros estudiosos afirmam que, além de interferentes antivirais e antibióticos, inibidores de neuraminidase, inibidores de síntese de RNA e medicina tradicional chinesa também poderiam ser usados ​​no tratamento de SARS-CoV-2.

 

NO ENTANTO, A EFICÁCIA DESSES MEDICAMENTOS AINDA PRECISA SER VERIFICADA POR ENSAIOS CLÍNICOS.

O coronavírus pode sobreviver em superfícies inanimadas, como mesas e maçanetas, dependendo do material e das condições, de 2 horas a 9 dias.

À temperaturas de cerca de 4°C, certas versões do coronavírus podem permanecer viáveis ​​por até 28 dias. A temperaturas de 30 a 40°C, os coronavírus tendem a persistir por um tempo mais curto (esse é um ponto muito positivo, no caso do Brasil).

À temperatura ambiente, um coronavírus responsável pelo resfriado comum (HCoV-229E) persiste significativamente mais em 50% de umidade do que em 30% de umidade.

No geral, alguns autores concluem: “Os coronavírus humanos podem permanecer infecciosos em superfícies inanimadas em temperatura ambiente por até 9 dias. A uma temperatura de 30°C ou mais, a duração da persistência é mais curta. Demonstrou-se que os coronavírus veterinários persistem ainda mais por 28 dias”.

Quando os cientistas investigaram a literatura sobre a persistência de coronavírus em diferentes superfícies, os resultados foram variáveis. Por exemplo, o vírus MERS persistiu por 48 horas em uma superfície de aço a 20°C. No entanto, em uma superfície semelhante e na mesma temperatura, o TGEV sobreviveu por até 28 dias. Da mesma forma, outros estudos investigaram a sobrevivência de duas cepas de coronavírus SARS na superfície do papel. Um sobreviveu 4-5 dias, o outro por apenas 3 horas.

Agentes, incluindo peróxido de hidrogênio, etanol e hipoclorito de sódio (um produto químico no alvejante), desativam rápida e com êxito os coronavírus.

Por exemplo, os autores escrevem que “[o] peróxido de hidrogênio foi eficaz com uma concentração de 0,5% e um tempo de incubação de 1 minuto”.

Assim, conclui-se que a desinfecção da superfície com hipoclorito de sódio a 0,1% (fazer uso de produto já pronto - não dilua água sanitária em casa) ou com etanol (62 a 71%) reduz significativamente a infectividade do coronavírus em superfícies dentro de 1 minuto".

Na ausência de tratamentos eficazes, a melhor maneira de lidar com a epidemia de SARS-CoV-2 é controlar as fontes de infecção.

As estratégias incluem:

1. lavagem frequente das mãos - preferencialmente, use álcool;
2. evitar contato com pessoas que apresentem-se doentes, especialmente se apresentarem tosse;
3. vacinar-se contra infuenza (nesta temporada de gripe no EUA, há registro de mais de 16.000 mortes - lembre-se, o SARS-CoV-2 matou cerca de 2300 até o momento);
4. diagnósticos precoces, relatórios, isolamento e tratamentos de suporte;
5. divulgação oportuna de informações sobre epidemias;
6. manutenção da ordem social.

A utilização de máscara, o descanso adequado e a permanência em sala bem ventilada são medidas sugeridas para pessoas que se encontrem sintomáticas.

 

O QUE O GOVERNO BRASILEIRO TEM FEITO A RESPEITO?

No dia 31 de janeiro de 2020, foi publicado no Diário Oficial da União um decreto presidencial, com assinatura do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, reativando um Grupo de Trabalho Interministerial de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional e Internacional, que já atuou em outras situações, como a pandemia de influenza.

A medida faz parte das ações preventivas do Brasil para enfrentar o coronavírus.

O Ministério da Saúde tem realizado monitoramento diário da situação do coronavírus (SARS-CoV-2) junto à Organização Mundial da Saúde, que acompanha o assunto desde as primeiras notificações, em 31 de dezembro de 2019.

Por isso, com o intuito de manter a população informada a respeito do coronavírus (SARS-CoV-2), o Governo do Brasil passou a atualizar diariamente, a partir do dia 31 de janeiro de 2020, informações na Plataforma IVIS (http://plataforma.saude.gov.br/novocoronavirus/), com números de casos suspeitos, confirmados e descartados, além das definições desses casos e eventuais mudanças que ocorrerem em relação a situação epidemiológica do coronavírus (SARS-CoV-2).

 

Compartilhe esta informação!

Ela traz informações importantes que ajudarão a desmistificar o problema, além de estar pautada em pesquisas das mais confiáveis disponíveis até o momento, conforme abaixo:

Alexander E. Gorbalenya, Susan C. Baker, Ralph S. Baric, et al. Severe acute respiratory syndrome-related coronavirus: The species and its viruses-a statement of the Coronavirus Study Group, bioRxiv 2020. (doi: https://doi.org/10.1101/2020.02.07.937862.)

Fioratti C. EUA começam testes da vacina contra o coronavírus. Super Interessante, 26 fev 2020, 17h43. (in: https://super.abril.com.br/…/eua-comecam-testes-da-vacina-…/).

Holshue ML, DeBolt C, Lindquist S, et al. First Case of 2019 Novel Coronavirus in the United States. N Engl J Med 2020. (doi: 10.1056/NEJMoa200119).

Huang C, Wang Y, Li X, et al.Clinical features of patients infected with 2019 novel coronavirus in Wuhan, China, Lancet 2020. (doi: 10.1016/S0140-6736(20)30183-5).

Kampf G et al., Persistence of coronaviruses on inanimate surfaces and their inactivation with biocidal agents, Journal of Hospital Infection, https://doi.org/10.1016/j.jhin.2020.01.022
Lu H. Drug treatment options for the 2019-new coronavirus (2019-nCoV), Biosci Trends 2020. (doi: 10.5582/bst.2020.01020).

Ministério da Saúde. Ações do Governo do Brasil para combater o coronavírus. (in: https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/coronavirus).

National Health Commission's briefing on the pneumonia epidemic situation. Released on 23 Feb 2020 (in Chinese). (in: http://www.nhc.gov.cn/…/9614b05a8cac4ffabac10c4502fe517c.sh…).

Sun P, Lu X, Xu C, Sun W, Pan B. Understanding of COVID-19 based on current evidence. J Med Virol. 2020 Feb 25. doi: 10.1002/jmv.25722. [Epub ahead of print]. Review. PMID: 32096567

Wu Z, McGoogan JM. Characteristics of and Important Lessons From the Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) Outbreak in China: Summary of a Report of 72 314 Cases From the Chinese Center for Disease Control and Prevention. JAMA. 2020 Feb 24. doi: 10.1001/jama.2020.2648. [Epub ahead of print]. PMID: 32091533.

 

Dr. Cristiano Schiavinato Baldan