Junho Verde é o mês da conscientização sobre a escoliose idiopática

Quinta, 27 de Junho de 2019  .  Leitura: Aproximadamente 3 minutos

 

Junho Verde é o mês da conscientização sobre a escoliose idiopática

 

27 de junho é o Dia Internacional da Conscientização sobre a Escoliose Idiopática, uma patologia que acomete entre 2 e 4% da população mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde.

 

Mas o que é escoliose?

 

A escoliose não consiste em uma doença, mas sim em uma alteração para alguns dos lados da curvatura natural da coluna vertebral. É uma deformidade em curva da coluna vertebral, podendo ou não ser acompanhada de rotação das vértebras.

 

Vista de frente, a coluna vertebral parece reta, porém, quando observada de lado, tem curvaturas fisiológicas na região do pescoço (lordose cervical), do tórax (cifose torácica), da cintura (lordose lombar) e da pelve (cifose sacrococcígea), cujo formato lembra a letra ‘S’. Essas curvaturas são consideradas normais, pois resultam da adaptação natural do corpo humano a posições adotadas nas diferentes fases do desenvolvimento motor, incluindo o período embrionário e o nascimento.

 

Segundo o professor Diego Galace “A escoliose é uma alteração tridimensional da coluna vertebral que pode levar à sua variação angular trazendo algumas disfunções desde estéticas, cardiorrespiratórias, até mesmo musculoesqueléticas. Por isso é muito importante o paciente passar por uma abordagem com a intenção não de trazer o realinhamento, mas sim evitar que aumente a progressão dessa curvatura.”

 

Existem vários tipos de escoliose, sendo 3 as principais:
• Escoliose congênita (de nascença)
• Escoliose Neuromuscular
• Escoliose idiopática

 

A escoliose congênita é causada pela má formação da estrutura vertebral decorrente de um problema com a formação dos ossos da coluna vertebral (vértebras) ou de um problema de fusão dos ossos da coluna.

 

A escoliose neuromuscular é causada por doenças ou distúrbios que acometem o sistema nervoso central, os nervos e os músculos como paralisia cerebral ou muscular, sequela de doenças neurológicas (como a poliomielite) e distrofia muscular. Geralmente, a escoliose do tipo neuromuscular apresenta uma longa curva em forma de um “C”.

 

Já a escoliose idiopática tem este nome por não possuir causa conhecida, ou seja, não é possível determinar a origem do desvio da coluna. Ela é a mais agressiva quando não monitorada e tratada e por isso justifica-se a necessidade da conscientização a respeito. A escoliose idiopática apresenta causas multifatoriais e dificilmente identificadas, manifesta-se também na infância durante os estirões de crescimento e é muito mais agressiva ao corpo devido ao grau de deformidade gerado nas curvas da coluna. Apresenta complicações adicionais geradas pelas alterações mecânicas da escoliose, dentre elas as mais preocupantes são limitação da capacidade funcional para o trabalho e exercícios, sobrecargas articulares excessivas, o que leva a dor, a degenerações articulares precoces e a complicações respiratórias.

 

É muito importante que o tratamento para a escoliose idiopática seja iniciado o quanto antes para impedir a progressão das alterações estruturais, controlar a dor e possíveis alterações respiratórias. E, nos casos mais avançados, em que as curvaturas são muito acentuadas, pode ser necessária intervenção cirúrgica.

 

Sintomas de escoliose

 

Os primeiros sintomas costumam aparecer já na infância, quando os músculos e ossos aumentam seu tamanho e o cérebro precisa se adaptar a essas mudanças. Porém é difícil que um olhar leigo note a curvatura nos estágios iniciais. Mas é possível perceber observando sintomas como:
• Ombros ou quadris parecem assimétricos;
• Coluna vertebral encurvada anormalmente para um dos lados;
• Sensação de desconforto muscular

Geralmente a escoliose na infância não causa dor. Se a criança sentir desconfortos associados à dores, é necessária uma avaliação médica criteriosa para verificar a existência de outras doenças mais graves.

 

Tratamento

Nos casos onde a curvatura tem até 20 graus, a análise é feita por meio de radiografias. Para curvaturas entre 20 e 40 graus, é necessário utilizar coletes ortopédicos para atuar na correção e na postura. Já nos casos acima de 40 graus, são indicadas abordagens cirúrgicas. 


É importante saber que a maioria dos casos não necessita de cirurgia para solucionar o problema, pois a maioria pode ser tratada um programa de correção postural e mudança de hábitos posturais e atividades físicas.


O tratamento da escoliose é longo e necessita de reavaliações constantes, mas é relativamente simples e apresenta a bons resultados quando a disfunção é identificada na infância. 


O professor Diego reforça: “Atualmente, dependendo da curvatura, desde que não seja maior que 40 graus e não tenha chance de progressão, a fisioterapia tem se mostrado uma forte abordagem em prol do atendimento dos pacientes, conseguindo evitar que haja progressão da curvatura e também a piora da parte cardiorrespiratória, musculoesquelética e estética do paciente.”

 

O mês de junho foi escolhido para conscientizar sobre a importância de uma avaliação já na infância para que as possibilidades de êxito nos tratamentos sejam cada vez maiores.

Palavras-chave: escoliose, idiopática